quinta-feira, 12 de março de 2009

O Palhaço

Chega devagar, em silêncio, sem ninguém saber do que se trata, num caminhão tapado com lona. Se instala, e ao descarregar o caminhão, opa, parece... Começam a montar e quando menos se espera...
O Circo está armado... Chamem todos, o espetáculo vai começar! A ansiedade toma conta, o clima de magia e mistério pairam no ar.
Nada é mais comentado do que o show que se espera, de boca em boca se espalha e como o vento numa noite vaga de outono o comentário escorrega entre os ouvidos das pessoas...
Mágica, palhaço, animal, malabarismo, tudo isso excita o povo ao redor do circo, que ansiosos esperam pra assistir a grande estréia.
Chegou o dia, o show começou, o mágico tira o coelho da cartola, a mulher tem barba e o homem cospe fogo, uma moto roda num pequeno mundo de metal, o malabarista se joga do alto para alcançar as mãos do outro, o tigre está bem perto, rondando, e o elefante fazendo graça, mas nada é tão esperado quanto o palhaço.
Pronto! O palhaço está no palco, ele nos faz rir muito, ele é alegre, é engraçado, nos faz bem, nos traz uma sensação gostosa, nos sentimos como crianças, por pouco tempo... E então o palhaço vai embora, as luzes do picadeiro se apagam e nos sentimos tristes, muito tristes... Estávamos tão felizes e agora acabou... E dá vontade de chorar... Alguns choram, choram bastante... Outros simplesmente vão embora como fez o palhaço.
Entretanto, lá no fundo do circo, em seu camarim, mais triste mesmo está o palhaço, porque na real, hora nenhuma foi feliz, nem quando estava fazendo os outros sorrirem, e o pior, ninguém percebeu isso, ele estava de máscara...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sobre casamento...

No dicionário a palavra casamento quer dizer "União solene entre duas pessoas de sexos diferentes, com legitimação religiosa e/ou civil". Porém, essa palavra, e todos sabem (até os solteiros!) é muito mais que o significado do dicionário.
Ontem meus pais fizeram 33 anos de casados, e esse fato me levou a refletir muito sobre o assunto casamento.
O que leva uma pessoa ficar junto de outra durante 33 anos de sua vida? O amor? Filhos? Costume? Comodidade?
Tudo isso me deixa muito confusa, porque o casamento foi banalizado, como dizem por aí, "virou uma instituição falida", muitas pessoas casam, sabendo que se não der certo, depois separam, e então casam de novo, tentam, tentam, até um dia, quem sabe, dá certo... Se não, vão tentando e divorciando, mas então pra quê casar?
Eu não gosto muito desse papo de casamento, saio falando, e meus amigos bem sabem, que não quero casar, mas no fundo sei que quero, quero sim, mas não agora! Quero na época que tiver maturidade o bastante para saber o que significa a palavra casamento além de um dicionário e por mais careta que pareça, quero pra vida toda, não quero casar com a certeza de que se não der certo, me separo, nem que para casar, demore toda vida...
Bom, seja lá o que for que leva uma pessoa a ficar 33 anos com outra, fico com Vinícius de Morais, no "Soneto de Fidelidade":

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Aos meus pais, parabéns pelos 33 anos de: renúncias, alegrias, desentendimentos, aquisições, gritarias, amor, ofensas, perdões, brigas, paciência, e tudo mais que agora não estou lembrando, mais que vem incluído no pacote casamento!
Admiro muito tudo isso!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Quisera...

Quisera eu nessa noite,
Sem qualquer explicação, estar ébrio.
Mas a noite passa rápido como um açoite,
E por mais que não quisesse, continuei sóbrio.

Quisera eu nesse momento,
Assim como um rei, ser nobre.
Porém, com a velocidade de um pensamento,
E um ímpeto de realidade, descobri ser pobre.

Quisera eu nessa hora,
Sentir-me seu e está perto.
Entretanto não estás aqui agora,
Tua presença de repente, num futuro incerto.

Quisera eu estar ébrio,
Quisera eu ser nobre,
Quisera eu estar perto...

Quisera, quisera, quisera...
Se não quisesse tanto,
De repente teria,
E se tivesse, de repente não quereria.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um Momento Meu


Chegou o ano novo... O outro se foi, passou... Não quero lembrar, nem esquecer.
Só quero esse, que é o meu hoje, ou o meu futuro?
Viver, surtar, abstrair... Verbos que, tirando o viver, aprendi nesse ano.
Tomar café, olhando a lua cheia, ouvindo Nelson Gonçalves...
Olhar o mar num dia de sol, ouvindo Bob Marley, tomando água de côco...
Esperar pela chegada do bebê... Aquele que vem do ventre dela, aquela que torna os meus dias mais coloridos e me faz rir, mesmo quando, às vezes, tenho vontade de chorar...
Chegar em casa no fim do dia e os anjos lá... Anjos fiéis por vocação, não por escolha.
Ouvir blá-blá-blá quando na verdade quero falar... Falar quando somente quero ouvir...
Ser artista de cinema para não magoar...
Malabarista para não deixar cair...
Detetive para descobrir, descobrir o que está encoberto, ou está diante dos meus olhos? De repente óculos seria uma boa...
Das máscaras de choro e sorriso, usar sempre a de alegria...
Máscaras, máscaras... Sim, máscaras, por que não? Às vezes, máscara é proteção.
Fazer de tudo um pouco e do pouco um muito...
A hora que quero, onde quero, simplesmente porque quero!
Sou eu, assim, minha, e não tua, e não de ninguém...
Posso dividir, emprestar, somar, multiplicar e ser de todos...
Posso ser simpática, divertida, agradável, sociável, mas por favor, não me peça, porque não sou de ninguém, a não ser só minha...
E esse é o meu momento...
Me amo, me compreendo, me contento, mas não tente fazer o mesmo, pode correr o risco de não me amar, não me compreender e não se contentar!
Mas isso vai passar... Eu sei! É uma pena...